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Caio Adorno Vassão.

Arquiteto e Urbanista.

Sou graduado e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Pesquiso Arquitetura Móvel, Arte Contemporânea, Design de Interação e de Interfaces.

Um de meus temas de pesquisa mais recorrentes é o diálogo entre as novas tecnologias e a conformação do ambiente urbano contemporâneo. Como parte deste estudo, pesquiso metodologias de projeto para a computação ubíqua.

Recentemente, trabalhei na atualização e ampliação do Metadesign e propus a abordagem

de projeto que denominei “Arquitetura Livre” que, dentre outras coisas, pode ser considerada uma generalização da abordagem do Software Livre para outras áreas de criação e proposta, como o Design Industrial, o Design de Interfaces, a Arquitetura, a Arquitetura de Alta-Tecnologia, a Arquitetura Móvel e Flexível, o Urbanismo, assim como promove o abandono da distinção entre projeto de sistemas informacionais e o projeto tradicional (vivemos na cidade…).

Como arquiteto e designer, atuei em projeto urbano e de edificações, ilustração técnica e didática, arquitetura da informação e design de informação.

Sou Professor da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP. E fui Professor e Pesquisador do Centro Universitário Senac.

Neste site, encontram-se diversas seções que expõem minha produção filosófica, projetual e artística.

Em blog, exponho assuntos mais correntes e comentários menos compromissados.

Em artigos, está listada e disponibilizada a maioria dos artigos que produzi nos últimos dez anos.

Em projetos, exponho os projetos ‘in progress’, que vêm sendo desenvolvidos a mais tempo e terão continuidade.

Em portfolio, exponho trabalhos relacionados às artes gráficas, artes plásticas, instalações, e arte interativa que desenvolvi individualmente ou em grupos ao longo dos anos.

Em expo, apresento a produção mais recente, assim como exposições e palestras.

Em breve planejo disponibilizar uma série de trabalhos gráficos disponíveis para compra. Estes aparecerão na seção expo.

Contato.

Todas imagens, textos e comentários© Caio Adorno Vassão.

Todas as imagens e textos foram produzidos por Caio Vassão entre 1994 e 2010. Salvo quando notificado.

 Música como Design

Estou relendo a biografia do Frank Zappa (The Real Frank Zappa Book), um dos três “Franks” que influenciaram profundamente minha vida… O segundo é Frank Lloyd Wright. E o terceiro é óbvio…

 

Tanto o Zappa como o Wright fizeram parte do meu primeiro ano na faculdade: lembro de terminar meu trabalho sobre o Wright, incluindo a famigerada maquete do Johnson Wax Company ao som do álbum Sheik Yerbouti, de Zappa.

 

O Zappa é uma influência tão importante na minha vida criativa por causa da atitude dele: desde a iconoclastia, até a extrema liberdade com que propunha de tudo, da música, passando pelos arranjos e pelo cinema, tecnologia, etc. (Algumas pessoas sabem porque me sinto um “agente duplo”…).

 

Bom, o nome do post é referência à proposta que faço: uma Teoria Geral do Design (Projeto) só poderia estar completa se levar em consideração o modo como o mundo ocidental, e parte do oriental, compreende a composição musical.

 

E aí, tenho uma discordância profunda com Zappa, na verdade com a vasta maioria dos compositores, músicos, e quase todos aqueles que vivem da e na música: Zappa insiste, como praticamente todos os compositores que conheço, que o que os músicos tocam, e você escuta, não é a música. Música é o que está escrito no papel… Ou seja, “música” é o conceito musical estabelecido enquanto uma seqüência de instruções codificadas em uma notação altamente formalizada e cifrada. A “performance” é apenas uma tentativa de alcançar a perfeição da música como notada na cifra.

 

Discordo. Mas é justamente essa afirmação de Zappa, que confirma tantas outras proferidas por outros músicos, de tantas maneiras diferentes, que permite que consideremos Música como Design. A música gradualmente abandona sua característica da Arte quando começa a ser tratada como composição, como notação de um conceito musical, e passa a significar apenas aquele conceito musical. Na verdade, é necessária toda uma purificação da concretude, e portanto de suas características instrinsecamente artísticas, da música para que ela se transforme em Design.

 

Creio que estamos defronte, inclusive, do ponto que permite a distinção entre Arte e Design, e da necessidade de se incluir o segundo como apenas um dos casos especiais da primeira.

 

Retomemos: em Design, a noção de finalidade é absolutamente proeminente, enquanto em Arte, essa noção é absolutamente relativizada pela concretude e sua expressão. No entanto, quando fala-se de um expressão “correta” para uma composição, está-se referindo a um plano abstrato de considerações que passam a fazer parte daquela obra. Quando esse plano abstrato é parte da obra, ou seja, pode ser tratado também como Arte, bom, temos Arte. Quando esse plano torna-se apenas uma ferramenta para a concretização de algo como “anotado”, ou seja, de acordo com uma norma de notação, bom, temos Design.

 

Bom, na verdade, essa conversa é bem mais longa. E creio que apenas com uma abordagem em “níveis de abstração”, própria do Metadesign, é possível compreender como boa parte da Arte contemporânea trafega entre o que seria propriamente Arte e propriamente Design.

 

Creio que como Zappa era concretamente e inteiramente um artista, apesar de todo o blá-blá-blá ideológico que fez parte de sua vida verborrágica, suas improvisações (que ele chamava de “composições instantâneas”) são prova da concretude da música enquanto performance. E, graças à “mágica das comunidades e da tecnologia das redes digitais banalizadas”, temos o que creio ser uma de suas maiores composições instantâneas no Youtube. Escutem “Rat Tomago”.